segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Sabes aquele arrepio no estômago sempre que passas à janela dela? Ainda não desapareceu. 
Hoje ainda me sinto feito de vento de cada vez que lá passo. Torturo-me, arrelio-me, combato-me, mas a verdade é que continua-me na carne.
Quando vais embora?
Não vale a pena fechares a janela. Não vale a pena. Sempre que passo à tua janela, vejo-te acenar. Vejo o meu coração na tua mão: a acenar-me. Amo-te,
 mas não quero amar-te. Vejo-te, mas não quero ver-te. Os meus tendões contraem-se uns contra os outros de forma caótica. A minha carne – tu – esmaga-se contra os meus ossos. Dóis. Hoje dóis muito. E vão passar meses e anos e tu continuarás a doer. Ninguém desaparece do corpo de ninguém. Ninguém se apaga do coração de ninguém. Vivemos marcados pelos estigmas do nosso coração. Eu e tu, tu e eu. Ontem perguntaram-me se era capaz de voltar para ti. Respondi
-Claro que não!
Com toda a convicção do mundo. É estranha esta forma que temos de mentir aos outros quando falamos dos dilemas do coração. É estranha a forma como nos mentimos sempre que o assunto são os dilemas do coração. A verdade é que quero seguir em frente. A verdade é que seguindo em frente tu não estarás. Hoje não estás; amanhã não estarás; depois de amanhã não estarás. A tua janela continua no mesmo sítio, mas tu não. O meu coração continua no mesmo sítio, mas tu não. Se hoje me perguntassem
-Voltavas para ela?
Diria
-Claro que não!
Na esperança que os meus amigos, de palmada nas costas, me reconfortassem com um
-Ela não te merece…
E na minha cabeça tu não me mereces. Na minha cabeça eu finjo que nunca me mereceste. Mas há alturas em que o coração fala tão alto que não conseguimos ouvir nada, nem ninguém. Nessas alturas lembro-me da primeira vez que usei a expressão
-Amo-te
Com todas as letras e sem lapsos. Nesse momento amava-te. Apesar de tudo, ainda te amo. Amo-te porque fazes parte dos estigmas do meu coração.

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